A banalização das distâncias no trail running

É crescente o número de atletas migrando do asfalto para as trilhas. Acho isso bárbaro. Correr na montanha é uma experiência absolutamente sensacional.

Mas tem me chamado a atenção o grande número de pessoas que ao realizarem essa troca migram direto para provas de 50 K ou mais sem a menor ideia do perrengue que terão pela frente.

Corrida de rua e trail running são dois esportes totalmente diferentes. Água e vinho. Você pode ser capaz de voar baixo correndo 10 K no asfalto, chorar lágrimas de sangue em uma prova com a mesma distância na montanha e ainda levar um tempo muito acima do esperado para cruzar a linha de chegada.

Acredito que assim como ocorre com o aumento progressivo das distâncias no asfalto o mesmo deveria acontecer na montanha. Conheci muitas pessoas que desembarcaram de paraquedas no Cruce sem nunca terem completado sequer uma meia-maratona na montanha. O mesmo aconteceu na polêmica Endurance Challenge Pico das Agulhas Negras em maio deste ano. E nos 80 K da Half Mission Brasil.

A montanha é um ambiente hostil, perigoso, desafiador que exige do corredor um imenso respeito, preparo físico e mental. Principalmente nas provas de ultra. Ser socorrido ou desistir de seguir em frente em uma prova de trail running é muito complicado. Você vai ter que se virar de alguma forma para chegar até um ponto no qual possa ser resgatado pela organização.

Como diz o código dos samurais: “A perfeição é uma montanha impossível de escalar e que deve ser escalada um pouco a cada dia”. Vale a reflexão.

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