A menina que subiu chorando a serra de Maresias

Sexta-feira completei 44 anos. Desde a morte do meu irmão, em 2013, esse dia é um dos mais difíceis para mim. Nós, os ditos enlutados, sofremos diversos tsunamis emocionais ao longo do ano. Absolutamente nenhuma data comemorativa é completamente feliz. Mas depois de atingidos por essa onda devastadora, recolhemos os nossos pedaços e surpreendentemente seguimos em frente.

Recebi centenas de mensagens nas redes sociais (às quais ainda estou agradecendo), recados no WhatsApp e telefonemas. Mas uma mensagem em particular me tocou fundo, trouxe a tona muitas lembranças e me fez refletir.  Ela dizia A menina que eu vi chorar na serra de Maresias virou uma superatleta. Parabéns, você superou minhas expectativas”. O autor é meu amigo Alberto Banach, que registra a impressionante marca de 36 maratonas corridas e completadas.

Há cinco anos, nos cruzamos na subida da serra durante o Revezamento Bertioga-Maresias. Eu já havia feito esta prova umas seis vezes e insisti com a minha equipe – trio feminino – que era chegada a minha hora de desafiar a serra. Ninguém se opôs, afinal não é muito fácil achar uma doida que insista em realizar esse trecho.

Fazia um calor absurdo e larguei para o meu trajeto tarde, por volta das 13h30, e com sol a pino. Já havia corrido outros dois percursos totalizando cerca de 24 km. Faltava essse terceiro, de 10 Km. Quem já concluiu esse trecho final da prova sabe quão desafiador ele é, mesmo se realizado de carro….Na metade da serra, quando o pior ainda estava por vir, me bateu uma crise de choro incontrolável. Uma sensação horrível de que eu não ia aguentar. Estava completamente exausta.

Eis que o Alberto se materializou ao meu lado com um sorrisão imenso e puxou conversa. Sua energia positiva me renovou.  Engoli o choro e segui em frente. Se eu achava que subir a serra era o problema, descobri que descer é que realmente judia – e muito. Com as pernas absurdamente doloridas cumpri os últimos 500 metros de areia fofa e cruzei a linha de chegada. Nunca me senti tão cansada na vida.

Abracei minhas companheiras, coloquei a medalha no peito e fui para casa. Reencontrei o Alberto na hora do churrasco e ele trazia na mão 3 troféus. Minha equipe havia conquistado a quinta colocação na prova.

Essa história toda cruzou a minha mente quando li a mensagem. A menina que chorou na subida da serra de Maresias virou mulher. Mas estou longe de ser uma superatleta. Obrigada, Alberto, pelo lindo recado e pela oportunidade que me deu de relembrar um episódio tão importante da minha vida. Chorei. Mas foram lágrimas de alegria. As únicas que os nossos olhos deveriam ser capazes de produzir.

 

 

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