Correr à noite na montanha é sensacional. E sinistro

Taiaçupeba, distrito do município de Mogi das Cruzes, em São Paulo, recebeu no último sábado a etapa noturna do Rei da Montanha, que contou com a participação de 700 corredores e quatro opções de distância: 3K, 7K, 14 K e 21K. Quase todos os percursos foram realizados apenas em estradas de terra.

Inicialmente inscrita para os 14K, precisei solicitar alteração para os 7K em razão de uma série de tendinites nos pés e nos joelhos que resolveram atazanar a minha vida nas últimas três semanas. O local escolhido pela organização para a largada e a chegada foi o Sítio Vale Azul e a infraestrutura foi ótima. Espaço de sobra para as assessorias esportivas, para a comercialização de produtos e até mesmo o apoio de uma lanchonete.

Cada largada, realizada de dez em dez minutos a partir das 19h30, era precedida de um briefing reforçando aos atletas a não desviarem a sua atenção das marcações do percurso, todas reflexivas, e relembrando a localização dos postos de água. Um staff de 60 pessoas garantiu a segurança dos corredores.

Largamos em uma descida seguida por curva fechada, o que causou uma certa preocupação e desconforto aos atletas. Era preciso ficar realmente esperto para não torcer o pé logo de cara. E, claro, para desviar dos caminhantes que insistem em largar no pelotão da frente (tsc tsc tsc).

Logo de cara uma subida e a sensação estranha que os seus olhos ainda levariam um bom tempo para se acostumar à penumbra. Na sequencia, uma descida monstro para testar o grip do tênis e a força dos joelhos e dos tornozelos. Passei os dois primeiros quilômetros da prova brigando com a minha head lamp. Se enxergar estava difícil, pior ainda foi achar a pressão ideal do elástico para prender a bendita na minha testa!

Ao menos para mim, o silêncio absoluto e a escuridão ajudaram muito na concentração. Corri mais de 60% do percurso sozinha. Com visão reduzida a poucos centímetros à frente dos pés era preciso focar totalmente no percurso. E nesse processo você acaba não pensando em mais nada, apenas observa o chão, o movimento do seu corpo e os batimentos do seu coração. Achei essa sensação simplesmente fantástica.

À noite na montanha seus outros sentidos parecem aflorar. Se a visão fica reduzida, sua audição fica extremamente aguçada. Estive o tempo todo alerta, concentrada. Decidi me deixar levar por essa sensação e simplesmente não olhei o relógio. Não havia marcação de quilometragem, então não tinha nenhuma ideia de quanto já tinha percorrido ou ainda tinha a percorrer. Curti tanto que quando percebi já estava no último quilômetro da prova – uma baita subida, claro.

Recomendo a todo o corredor se aventurar ao menos uma vez a correr à noite na montanha. É sinistro e absolutamente sensacional.

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