Desconfortável em minha zona de conforto

Realizei minha última prova longa (103 Km) há quase 60 dias. Na semana seguinte, claro, um merecido descanso, afinal foram seis meses de preparação intensa e eu merecia dar um tempo e relaxar.

Duas semanas depois, hum, engatar o ritmo foi um parto. Quando encaixava um pace de 6’20” era praticamente um tiro. Eu me arrastava pelo circuito do Parque do Ibirapuera e da Universidade de São Paulo (USP). Voltar para a montanha nem nos meus piores pesadelos.

A terceira semana foi a mesma coisa, assim como a quarta, a quinta. Na ponta da língua a minha desculpa esfarrapada: eu acabei de voltar do Cruce! Mas, lá no fundo, eu sabia que não era verdade. Sabia que eu estava acomodadíssima na minha zona de conforto e sem nenhuma vontade de voltar a fazer força para engatar no ritmo dos treinos.

Há duas semanas eu resolvi encarar esse problema de frente e me conscientizar de que não dava mais para continuar desse jeito. Se eu quisesse continuar treinando teria que me empenhar, sofrer um pouco, encaixar o ritmo e parar com o “mimimi”.

Desembarquei no Ibirapuera determinada a fazer um treino decente. O primeiro de 2015. Era um insuportável fartlek (alteração de ritmos). Pensei positivo, mentalizei que o treino seria uma beleza e larguei. Os dez primeiros minutos foram um sufoco. O ritmo não entrava, o joelho doía, o coração batia disparado. Um tremendo desconforto e uma vontade de parar descomunal.

Mas me apeguei ao pacto que havia feito comigo mesma e resolvi que deixaria a minha zona de conforto de uma vez por todas. Fechei os olhos, aumentei o ritmo, ignorei as dores e segui em frente sem olhar o relógio. Deu certo. A autoestima voltou. A confiança também. E, com elas, o bom e velho prazer em treinar.

Cheguei à conclusão de que nos acomodar na zona de conforto é uma delícia, mas cansa. Cansa mais que romper a barreira da preguiça e sofrer nos treinos. Cansei de sossego. A hora agora é de socar a bota.

 

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