E no meio do caminho tinha um vírus

Eu raramente fico doente. Gripes e resfriados não tenho há anos. Sofro com rinites que chegam e somem e com episódios anuais de sinusite. Mas nunca, nunca mesmo, me senti tão debilitada como estou agora faltando duas semanas para a meia-maratona do Rio.

Venho ignorando sistematicamente os sinais de cansaço e de estresse que meu corpo tem me dado. Principalmente os de estresse. Se os treinos e o desempenho nas provas vão bem, dane-se o resto. Afinal, quem não tem os seus desafios pessoais e profissionais diários? Mas o fato de varrer os problemas para baixo do tapete não significa que eles deixem de existir. Eles continuam lá. Vivos. Apenas escondidos e aparentemente inofensivos. Só que não.

Há dois anos, a minha vida mudou completamente. Perdi meu irmão abruptamente e nesse tempo todo nem tive tempo de chorar a falta imensa que ele me faz. De viver o luto como dizem. Desde agosto de 2013, minha vida tem sido uma luta diária para ajudar – como posso – a minha família a seguir em frente. Embora tenha procurado me dedicar à corrida por uma questão de sobrevivência, ela virou minha fuga, minha única tábua de salvação.

Me impregnei de endorfina e de serotonina como se não houvesse amanhã emendando uma prova atrás da outra. Loucura pura. Runner’s high total. Praticamente delirando como Blanche DuBois, a personagem principal de “Um Bonde Chamado Desejo” de Tennessee Williams, e imaginando que a minha vida não tinha mudado.

Até que na semana passada um minúsculo organismo chamado vírus me abateu sob a forma de uma laringotraqueíte aguda, uma inflamação da laringe e da traqueia. Além de febre, dor e rouquidão, ela causa crises de espasmos da laringe, um fechamento desordenado que impede a passagem do ar para o pulmões, dificultando a respiração. E tosse. Muita tosse. Muita mesmo.

Fui parar no pronto socorro no domingo e hoje no consultório do meu médico. Amigo de longa data que ele é me chamou à realidade e jogou toda a verdade na minha cara sem dó nem piedade. Plaft! Ouvi calada. Não havia o que contestar.

A conclusão é que não se pode fugir dos problemas. Nunca. Querendo ou não é preciso enfrentá-los. Eles te chamarão para um duelo queira você ou não.  E o meu rumo à minha recuperação física e emocional começará no dia 26 de julho, às 6h30, na Praia do Pepê no Rio. E não acabará 21,097 Km depois no aterro do Flamengo.

Preciso tentar achar o meu equilíbrio, a minha alegria e a minha felicidade de alguma forma. A hora da mudança chegou. E no fundo tinha noção que chegaria. Não sei bem como ela será, mas é bom saber que ao menos terei toda a linda orla carioca para pensar e começar a planejar o recomeço.

 

 

 

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