Elisa Forti: uma guerreira octagenária e uma tremenda inspiração

Nos últimos 12 anos a corrida tem me proporcionado experiências sensacionais. Viagens superbacanas, paisagens maravilhosas – daquelas que te fazem chorar mesmo – e amigos fora de série. Sinto que sou uma pessoa muito melhor desde que comecei a correr.

Mas este ano conheci uma pessoa que me encantou profundamente: Elisa Forti, uma vovó argentina de 80 anos e que há duas semanas completou o seu segundo El Cruce. Eu a vi pela primeira vez em 2013, em Pucón, e achei sensacional alguém, aos 78 anos, ter disposição suficiente para se aventurar em uma prova pelos Andes. Trocamos poucas palavras. Um oi e um “abre para passar” – dela para mim, vale destacar.

Passados dois anos, nos reencontramos novamente para mais um Cruce. Elisa desembarcou em Bariloche como uma lenda para os participantes. E não poderia ser diferente. Apesar de pequenina e com o corpo já curvado pela idade, ela é incrivelmente carismática. Basta ela te olhar com aqueles profundos olhinhos azuis e te dar um sorriso e pronto, você se apaixona por ela. Não tem jeito e não adianta resistir.

E quando ela começa a falar sobre o seu prazer em correr, sobre o que isso representa em sua vida você fica completamente hipnotizado. Ela é ovacionada por todos os corredores do Cruce por onde quer que passe. “Elisa! Elisa! Elisa!”, gritamos. E ela sorri. E chora. E agradece. E toca suavemente no seu rosto. E você se apaixona ainda mais por ela.

Suas passadas são constantes na subida, na descida ou no plano. Faça sol ou faça chuva. Subi com ela respirando no meu cangote por quase duas horas no terceiro dia do Cruce. Não foi fácil. “Abre para passar, Elisa?”, perguntei diversas vezes. “Não, não. Está bem assim” ela me respondeu em espanhol. Mas foi só parar para um pipi stop que ela me ultrapassou. Danada essa Elisa.

Conversamos várias vezes antes e durante a prova e não resisti quando, ao cruzar a linha de chegada eu a vi lá quietinha, tranquila, saboreando uma Quilmes. Com a minha medalha no peito, fiz questão de brindar com ela e dizer o quanto a admirava e o quanto ela era uma inspiração não só para mim, mas para todos os corredores. Ela me olhou com aqueles lindos olhinhos azuis, colocou a mão no meu rosto e agradeceu, emocionada. Foi a melhor Quilmes que eu já tomei na vida. Naquele momento desejei de todo o coração ter joelhos suficientes para mais 40 anos correndo nas montanhas. Que atleta excepcional essa Elisa Forti!

 

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