Inscrição no escuro. E atletas podem ser cortados durante a prova

As inscrições para o Cruce têm início em agosto do ano anterior e a prova pode ser disputada em duas categorias: duplas ou solo. Você se inscreve sem saber a distância ou as cidades de largada e de chegada.

Em 2015, largaremos de Bariloche e chegaremos em Puerto Blast, 3 dias e 108 Km depois. Quando recebi a carta informando o percurso, confesso, senti um frio enorme na barriga.

Ao contrário das edições anteriores, quando a prova tinha distâncias regressivas, em 2015 elas serão progressivas: 24Km, 38Km e 46Km. Mas não foi a distância que me assustou, mas a altimetria: 2.000 m de ascensão positiva (subidas), em média, por dia. E cerca de 1.200 m de descidas em cada etapa.

Eu adoro subidas. Adoro mesmo. Mas sofro. No ano passado, investi grande parte do meu treino nas subidas. Mais especificamente em trekking de subidas. Caminhar forte e de forma constante – na medida do possível, claro. Descer eu adoro e desço bem. Não tenho medo de socar a bota. Se o terreno permitir é pé na orelha mesmo.

Aliás, um dos grandes desafios de planejamento do Cruce é o terreno: observando a altimetria você imagina que no planalto vai conseguir correr. Mas quando chega ao local descobre que é a base de um vulcão com pedregulhos de lavas a perder de vista. Aí só te restada caminhar e o seu plano de pace inicial vai para a cucuia.

No meu planejamento um faço dois cenários sempre: o pessimista e o otimista. Para as subidas menos íngremes, pace médio de 12 min/km. Para os ataques ao cume, entre 18 e 25 mim/km. E média de 8 min/km no planalto e descidas. Também não penso em cada etapa em quilômetros, mas em horas, pois nem sempre a quilometragem apresentada pela organização é a que você vai encontrar. Pode ser mais. Muito mais.

Foi estabelecido para este ano o pace mínimo de 13 min/km e um corte por volta do km 27 dos dois últimos dias da prova. Ou seja, em até 5h51min eu preciso ter ultrapassado essa distância.

O desafio será subir rápido, descer rápido e correr o máximo possível tentando admirar a paisagem, afinal nunca mais eu terei a oportunidade de cruzar os Andes da Argentina para o Chile por esse trajeto.

Quer conhecer em detalhes o percurso do Cruce deste ano? Então confira o vídeo:

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