Na montanha é que me encontrei

Há exatos 11 anos um e-mail do meu personal trainer mudou a minha vida. Ele queria montar uma equipe de corrida com oito atletas para participar da maratona de revezamento do Pão de Açúcar. Sem pensar respondi na hora: eu topo! Mas foi só depois de clicar o botão “enviar” que me veio à mente um pensamento bastante, digamos, relevante: eu nunca tinha corrido 5 km na minha vida. E agora? Como eu ia fazer? Pânico. Dá para deletar um e-mail enviado? Eu e minha mania incontrolável de responder sim sem pensar….

Mas eu já tinha me comprometido com a equipe e agora era tarde demais para voltar atrás. A solução era me preparar para não fazer (muito) feio e completar o meu trecho com alguma dignidade. Comecei a treinar com o afinco que me é peculiar. Sou uma pessoa obstinada. Quando aceito um desafio ou traço uma meta eu realmente me dedico a esse objetivo…..neuroticamente. É uma qualidade – às vezes um defeito – da minha complexa personalidade.

Passada mais de uma década, já corri mais de 30 meias-maratonas, 3 maratonas, 2 ultras e tantas provas de 5K e de 10K que até perdi a conta. (Nota mental: fazer um levantamento detalhado de todas essas provas)

Há três anos, ao responder sim – também sem pensar – ao convite de uma amiga, acabei trocando o asfalto pela montanha. Mas essa transição não aconteceu em uma prova qualquer: o convite era para participarmos, em dupla, do Cruce de Los Andes, uma das provas de trail mais duras das Américas. Com duração de 3 dias e distância média de 100 Km, ela é disputada na Cordilheira dos Andes.

Treinamos com paixão durante seis meses e com uma motivação acima da média, afinal tudo era novo e superdivertido para nós: subir 6 biologias, 5 químicas, o subir correndo e descer andando (ou vice-versa) o Pico do Jaraguá. Quanto mais difícil, melhor.

Em fevereiro de 2012, largamos de Pucón, no Chile, e 25 horas e 103 km depois cruzamos a linha de chegada em Junin de Los Andes, já na Argentina. Estávamos exaustas – física e emocionalmente – mas a sensação de liberdade e a satisfação pessoal foi indescritível. Me apaixonei pelo trail, pela montanha e pela sensação de plenitude e de comunhão com a natureza que esse tipo de corrida me proporciona. E também pelo extremo comprometimento exigido de quem decide participar do Cruce ou de qualquer ultra.

Essa prova foi tão absolutamente fantástica para mim que em 2015 participarei dela novamente …. pelo terceiro ano consecutivo.

E você poderá acompanhar aqui os detalhes da minha preparação para a próxima edição Cruce de Los Andes que promete ser uma das mais desafiadoras dos últimos anos.

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