Os dias da loba solitária estão contados

No asfalto ou nas montanhas eu sempre fui uma loba solitária. No melhor dos sentidos. Treino sozinha e corro sozinha sem problemas. Gosto (muito) da solitude.

Minha primeira experiência em dupla ocorreu em 2012, nos 100 K do El Cruce Columbia. Completei todo o ciclo de treinamento correndo em parceria com a amiga do peito Maria Manuela Rocco. Nenhuma de nós já tinha participado de uma prova como essa e desembarcamos na Patagônia treinadas, mas sem a menor ideia do que iríamos enfrentar.

Meu joelho travou no segundo dia da prova. Como Murphy é sempre implacável, foi o dia com o percurso mais longo e com o maior número de descidas. Desci TODAS elas de costas e com o apoio dos trekking poles. Chorei. Me amaldiçoei.

Enquanto eu me arrastava, jurava por todos os santos que nunca, nunca mais correria em dupla. A Manu, treinadíssima, acabou sendo prejudicada pela minha dificuldade física. Senti uma baita culpa.

Quatro longos anos se passaram. Completei dezenas de provas nas mais diferentes distâncias. Meu joelho nunca mais travou, mas enfrentei outras dores pelo caminho. Sempre sozinha….

Mas quis o destino que eu encontrasse este ano, durante os 100 Km El Origen na Patagônia, um novo anjo da montanha. Esse é o nome que dou aos amigos que conheço pelo percurso em momentos de dificuldades.

Conheci o Moisés Fraga no primeiro dia da prova. Depois de um início fantástico, quebrei por volta do km 20. Então, ao invés de correr, comecei a andar curtindo o visual lindo da região da Villa la Angostura. Foi quando encontrei com o Moisés, a Terê e a Nilcéia.

Acabei completando o segundo dia de prova também na companhia do Moisés e sou eternamente grata por tê-lo ao meu lado na dura travessia do Filo O’Connor, quando enfrentamos ventos de 60 Km/hora. Largamos juntos para o terceiro dia, mas um “piriri” inesperado do meu lado obrigou esta dupla a se separar.

Há poucas semanas, durante o processo de inscrição para o El Origen 2017, sem nenhum planejamento prévio, resolvemos nos inscrever como dupla. Assim, de supetão mesmo via WhatsApp.

Tenho contas a acertar com esse modelo. Quero espantar o fantasma de 2012 e completar os 100 Km em 2017 sem prejudicar o Moisés. É um compromisso que assumi assinado em sangue e que está motivando os meus treinos. Uma responsabilidade enorme. Não posso e não vou pisar na bola.

Meus dias de loba solitária estão chegando ao fim….

Cruzando, em dupla, o Filo O'Connor, na Patagônia

 

 

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