Pelo meu irmão, pela minha mãe e por mim

Eu sabia que a meia-maratona do Rio seria uma prova difícil para mim. Mas achei que o físico é que iria pegar. Não corro uma meia no asfalto há quase um ano e ainda por cima fiquei bem doente dez dias antes da prova. Entretanto, o que me abateu mesmo foi o psicológico.

Ciente da dificuldade que teria pela frente resolvi levar meu irmão para correr comigo. A gente sempre foi grudado, fez tudo junto, dividiu tudo. Mas acontece que meu irmão não está mais neste plano. Por isso levei as suas cinzas para a prova.

Faltando poucos dias para completar dois anos de sua partida, resolvi que a meia do Rio seria um renascimento para mim, pois sei que preciso desesperadamente recuperar a minha alegria de viver e procurar a minha felicidade nesta vida solitária e tão estranha sem ele. Por isso decidi que dedicaria cada um dos 21,097 Km a uma característica dele, a um fato das nossas vidas ou a um membro da nossa família.

Tudo corria muito bem – abaixo da planilha, inclusive – quando um tsunami de tristeza tomou conta de mim no Km 15. Caí no choro e comecei a andar. Com a cabeça a milhão procurei retomar o ritmo, que voltou a desencaixar no km 17. Amigos – conhecidos e anônimos – passavam, me davam uma força e me empurravam para a frente.

Caminhei um pouco, tomei uma água e decidi que alcançaria a linha de chegada nem que fosse caminhando, porque apesar da enorme tristeza que tomou conta da minha vida desde a partida do meu irmão desistir não é uma opção. Imaginando que aquele caminhar simbolizava a minha busca pelo recomeço, comecei a trotar até encaixar um ritmo suficientemente confortável para chegar ao pórtico.

Dediquei o último km à minha mãe, um poço de amor infinito e de fibra e que sem querer acabou por me moldar à sua semelhança. Quando dizem que somos iguais eu considero o maior elogio que alguém poderia me dar, pois sei que ela é a mulher mais forte e corajosa que eu já conheci. Esses sofridos 21,097 Km concluídos em 2:05 significaram para mim a busca pela alegria e pela felicidade perdidas. Corri pelo meu irmão, pela minha mãe e por mim. Hoje somos duas. Mas sempre seremos nós três.

Foto: Divulgação

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

code

Copyright © 2016 Montanha Minha Praia - Todos os direitos reservados.

Desenvolvido por: PWI WebStudio