Procura-se um obstáculo para o João Batista

E aí ? Vai encarar ? - Arquivo Pessoal

João Batista Santos causa frisson por onde passa. Seja em uma corrida no asfalto ou na montanha, tem sempre alguém gritando o seu nome ou querendo tirar fotos com ele. Suas imagens subindo a temida serra de Maresias “bombaram” nas redes sociais há duas semanas. No último domingo, na prova do Rei da Montanha, em Sabaúna, foi a mesma coisa.

Sempre simpático e cordial, ele retribui esse carinho todo com um sorriso, com um obrigado ou com uma pose. Se você está se perguntando se o João Batista é famoso por ser um corredor sub o que quer que seja, a resposta é: não.

Em 2009, ele levava sua mulher na garupa da moto pela estrada de Bertioga quando a sua moto quebrou. Parados no acostamento, eles foram atropelados por um veículo. A esposa faleceu no local. O João quebrou a bacia, teve a perna esquerda amputada acima do joelho, perdeu os movimentos do braço esquerdo e passou por uma cirurgia na cabeça.

Durante o processo de recuperação, começou a jogar futebol para amputados, mas um sonho que ele dividia com a esposa sempre retornava à sua cabeça: correr uma São Silvestre. Depois de tudo o que passou, ele decidiu que as muletas não seriam um empecilho.

“Não tinha a menor ideia da quilometragem ou do que eu estaria prestes a enfrentar. Descobri que seriam 15 km na hora da inscrição e me preparei psicologicamente para essa distância. Mas na metade da prova eu me conscientizei da minha condição física. Comecei a pensar nos meus quatro filhos e na forma como eu queria encarar essa minha nova vida. Tive uma crise de choro na subida da Brigadeiro. Depois da prova, tudo no meu corpo doía, até o cabelo, mas a sensação de satisfação foi absurda”, recorda João Batista.

Desde então ele já correu duas maratonas, cinco meias-maratonas e três São Silvestres, tendo ainda respeitáveis 49 minutos como melhor tempo na distância de 10 Km. “Completei há duas semanas os 75 Km de Bertioga até Maresias em trio e em dezembro disputarei minha primeira ultra, de 70 Km, em Botucatu. E devo correr minha quarta São Silvestre, desta vez ao lado dos meus filhos. O mais novo, hoje com nove anos, já participa de provas de 10 Km na montanha”, conta.

O João Batista não se vê como uma inspiração, mas fica contente em saber que é um exemplo para outras pessoas. “Explico aos meus filhos que você não precisa passar por uma grande tragédia pessoal para valorizar a vida ou as pessoas que estão ao seu lado. Se não fosse a corrida eu provavelmente estaria fora do peso e sedentário como antes do acidente. A corrida mudou a minha vida e me permitiu provar a mim mesmo que eu sou capaz de fazer tudo o que quiser. Não importa quanto tempo eu demore para chegar até a linha de chegada. O que eu sei é que eu nunca vou desistir”, conclui.

Uma resposta para “Procura-se um obstáculo para o João Batista”

  1. […] prótese para se tornar ultramaratonista Eu já contei aqui a história do meu amigo e corredor João Batista Santos. Em 2009, após perder a esposa e uma perna em um acidente de moto, ele descobriu na corrida sua […]

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